
Quem não se lembra do Troféu Zum de Besouro que o colunista do jornal O Globo, Artur Xexéo, lançou anos atrás para premiar a mais enigmática letra da música brasileira?
Sempre falei desse troféu para minhas amigas aqui no UK, mas nunca me lembrava completamente da letra da música vencedora, Refazenda com Gilbero Gil.
Mã-i-a, ven-a ve, ven-a...;)
Abacateiro acataremos teu ato
Nós também somos do mato como o pato e o leão
Aguardaremos brincaremos no regato
Até que nos tragam frutos teu amor, teu coração
Abacateiro teu recolhimento é justamente
O significado da palavra temporão
Enquanto o tempo não trouxer teu abacate
Amanhecerá tomate e anoitecerá mamão
Abacateiro sabes ao que estou me referindo
Porque todo tamarindo tem o seu agosto azedo
Cedo, antes que o janeiro doce manga venha ser também
Abacateiro serás meu parceiro solitário
Nesse itinerário da leveza pelo ar
Abacateiro saiba que na refazenda
Tu me ensina a fazer renda que eu te ensino a namorar
Refazendo tudo
Refazenda
Refazenda toda
Guariroba
4 comments:
eh, realmente, algo do substrato da questao terra, na linha direta de xango! rs
é tudo uma questão de semântica relacionada à questão existencial que irriquieta o ser humano... ou não!
Essa letra é foda, mas acho que nesse quesito NINGUÉM barra o Carlinhos Brown. Só umas amostras:
"Puerararara, Puerarara terça feira capoeirarara, tô no pé de onde onde der rarara. Verdadeiro rarara, derradeiro rarara, não me impede de cantar rarara, tô no pé de onde der rarara."
ou
"Tatibitate
Trate-me, trate
Como um candeeiro, ô
Somos do interior do milho
E esse ão de são
Hei de cantar naquela canção
One more time"
Fala sério!
''Somos do interior do milho'' foi muito boa! Eh Charlinhos Brown (sic) eh realmente expert no quesito nonsense. Mas na letra do Gil, me intriga muito a coisa do ''Enquanto o tempo não trouxer teu abacate
Amanhecerá tomate e anoitecerá mamão''.
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